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Entre 4 Paredes

Desafio dos Pássaros - Tema #8

Entre 4 Paredes, 18.11.19

Olá Candeias pequenina!
Tu ainda não sabes mas o teu nome próprio foi escolhido pelas enfermeiras...o teu nome (do meio) Candeias, esse, vai fazer-te sentir muito orgulho quando fores crescida...e o teu sobrenome vais odiar. Mas deixa isso! Vais entender com o passar dos anos que a paternidade não se cinge a um nome. Que na paternidade não basta gostares muito de alguém pelo que fez por ti enquanto "pai". Sentir-te-às agradecida, confusa muitas vezes, triste porque gostavas que o teu verdadeiro pai te amasse mas...vais tentar e falhar porque isso não dependerá de ti. E o que não dependerá de ti é ainda o facto do teu avô ser sempre o teu maior amor. Cuida-o. Ele a tua avô um dia partirão. Dir-te-ão que com o passar dos anos a saudade doerá menos mas é mentira.
Vais ainda viver uma grande amizade que te ajudará muito quando saíres de casa para estudar fora (sim! agora ninguém acredita mas esse dia chegará) e essa amizade passará a amor. Já tu e a tua mãe são muito unidas até ao ponto em que dependerás dela até tarde para te sentares à mesa, vestires, ires à casa de banho, e tudo o resto...só que, um dia vais crescer e tudo vai mudar sem saberes porquê Ela mudará. Vais sofrer muito com isso mas tudo passa. Guarda no coração as boas memórias e fecha-as a cadeado, não deites as chaves fora, reabre tudo novamente só quando estiveres mais forte...confia, pode ser tarde mas, esse dia há-de chegar!
Lembra-te é que em pequenina foste muito feliz e que em adulta o futuro estará nas tuas mãos. Vais perder as forças várias vezes mas também haverão dias em que acordarás com um sorriso nos lábios e o mundo nas mãos!
Viverás numa casa que adoras, poderás ajudar melhor o teu amor (a lidar com as suas dificuldades de saúde por viveres isso na pele desde que nasceste), terás os teus cães e gatos, e ao contrário do que se passou na tua adolescência em adulta terás poucos amigos.
Aconselho-te não penses muito na vida. Não queiras ser igual a ninguém...todos temos metas diferentes, todos somos diferentes. Não tentes encontrar uma justificação para tudo o que sentes...não é possível encontrá-la.
E lembra-te desde as tuas 12 horas de existência que a tua vida é uma viagem turbulenta! Só tens de acreditar que tudo vai terminar no lugar em que tem de estar.

Desafio dos Pássaros - Tema #7

Entre 4 Paredes, 18.11.19

Tema: A Constança precisa duma mascara capilar mas o teu patrão só quer que vendas compotas de abobora com amêndoa. Convence-a a escolher a compota para usar como mascara capilar 

- Está a fazer-se tarde João Paulo, vou ali à loja do senhor Manel falar com a Alzira num instante!
- Está bem mas não demores!

Ainda com um pé na rua e outro na loja (segue-se o seguinte diálogo):
- Ora viva D. Constança em que posso ajudá-la?
- Boa tarde Alzira! Aí mulher ainda bem que ainda não fechaste. Preciso da tua ajuda!
- O que a apoquenta D. Constança?
- É que o meu João Paulo ontem disse-me que eu tenho o cabelo oleoso e a cheirar mal, preciso uma mascara capilar. Mostra-me aí a melhor e não olhes a preços.
- Isso agora é que é pior...
- Mas pior porquê mulher?
(Incumbida pelo senhor Manel de só ter autorização para vender compotas de abóbora com amêndoa Alzira arranja forma de se desenrascar).
- Para o efeito maravilhoso que quer dar ao seu cabelo só temos compotas de abóbora com amêndoa.
- Compotas Alzira? Não me arrelies!
- Compotas...como lhe disse de abóbora com amêndoa...é baratinho e melhor não há!
- Olha dá-me mas'é lá isso e mete na conta do meu João Paulo...
- Mas..,o senhor João não tem conta aqui...
- Passa a ter! Isto não é só dizer que cheiro mal e safar-se. Agora vou-me andando que tenho de escrever no meu blog que EU, Maria Constança, não volto a pôr aqui os pés! Agora onde já se viu...compotas para o cabelo...de abóbora com amêndoa...santa paciência - sussurra!

Já em casa, alguns dias depois, Constança experimenta o "produto capilar" e desabafa com os seus botões:
Olha que esta porcaria até não é má e cheira bem! Se calhar volto à loja do Manel e agradeço à Alzira...

 

 

Existe quem se lembre (de ti).

Entre 4 Paredes, 16.11.19

Uma pessoa foge dos blogs, embora que inconscientemente, fecha-se em casa, controla-se (não chora) e sorri, sorri timidamente pensando nas voltas que a vida tem dado em poucas semanas. Se calhar, vendo melhor, essas mudanças, voltas e reviravoltas da vida foram acontecendo aos poucos mas só me dei conta agora. Foi preciso a Maria perguntar por mim para que eu metesse a cabeça de fora da gruta. Para que eu tivesse o seguinte pensamento: que raio, as pessoas fora do circulo familiar entendem que algo se passa mas os de sangue não? É triste. É triste mas reconfortante. Mesmo que a km's de distância chega a mensagem: existe quem se lembre de ti.

Obrigada Maria!

 

Nota: amanhã cumprirei o meu dever e actualizarei o #desafiodospássaros. Desculpem a (enormíssima) falha.

Pão por Deus

Há muitas formas de amar!

Entre 4 Paredes, 01.11.19

Durante muitos anos este dia para mim foi apenas dia de Pão por Deus (para mim não há cá halloween's).

A avó fazia as saquinhas à mão e lá íamos nós porta a porta. Recebíamos uns trocos, rebuçados, chocolates...e tudo o que viesse à rede era peixe (era bem vindo quero eu dizer). Já grande mantive a tradição de ir sempre a casa da avó e do avô pedir Pão por Deus, era uma forma de estar com eles. Eles abriam-me sempre a porta mas caso alguém não abrisse toca de cantar "Soca vermelhasoca rajadaTranca no cú a quem não dá nada!".  

Hoje, para mim é o dia de recordar o Pão por Deus mas também é dia de todos os santos. A avó e o avô já cá não estão - em vida não eram Santos mas - deixaram-me as melhores memórias, o melhor e maior amor do mundo.

O amor pode ser em forma de saca. Há muitas formas de amar!

sacos-pão-por-deus.jpg

(imagem retirada da Internet)

 

Desafio dos Pássaros - Tema #6

Entre 4 Paredes, 25.10.19

O Amor, uma cabana… e um frigorífico é tudo o que uma mulher precisa!

O amor próprio é o primeiro, o imprescindível e o mais necessário de todos os amores. Depois desse vem o amor ao próximo!

O amor a um familiar, o amor a um vizinho, a um amigo e o amor onde se juntam, finalmente, as duas metades de uma laranja. Quando se juntam as duas metades da laranja é importante ter uma cabana...feita em cimento (que nem tudo são rosas) é que um dia se fosse feita a cabana em madeira podia ir tudo pelos ares.

Foi assim que Ana e Manuel decidiram unir-se: amor não lhes faltava, a cabana lá estava mas...nos momentos mortos havia que encher a barriguinha! Compraram então um frigorífico. Um belo dia começaram a cultivar a sua horta: deu alfaces, espinafres, endividas e tantas outras coisas e era com elas que enchiam o frigorífico. Ana com a ressaca (a falta) de doces optou por se satisfazer e fazer das horas de cultivo também horas de sexo, de sexo com amor entre as urtigas! E assim viviam ambos sempre satisfeitos de tal modo que a cabana (mesmo que fosse de madeira) continuava intacta. Partiam a loiça toda mas...era outro tipo de loiça.

O Amor, uma cabana… e um frigorífico é tudo o que uma mulher precisa! E...o que um homem deseja.

Desafio dos Pássaros - Tema #5

Entre 4 Paredes, 14.10.19

Tinha que ter escrito esta tese para publicar sexta às 15h mas, senhores, começou a dar-me uma comichão que só abrandou agora!
"Estás na fila para o purgatório e Hitler está à tua frente. Ninguém o quer aceitar e a fila não anda. Escreve a tua intervenção para convencer um dos lados a aceitá-lo" desculpem, como assim? ao Hitler? eu dava-lhe um empurrão e ele caía no limbo (nem num lado nem noutro) até eu descobrir o meu destino. Esse patife não ia tirar-me a paz como tirou a uma imensidão de pessoas! - dizia eu para comigo.
Mas afinal, chegou o dia. Estava morta! E o canalha nada de me sair da frente!
Estava uma pessoa baralhada sem saber se ia para o céu ou para o inferno, já com dores nas cruzes e de ciática de tanto esperar quando se lembra: "vou mas'é ali ter uma converseta com Nosso Senhor! Mal não há-de fazer" e furei a fila. Todos distraídos a protestar e eu empurrei Hitler sem ninguém dar conta!
Depois de eu ter, finalmente, convencido Nosso Senhor que o meu lugar era no céu (porque afinal os meus pecados não se comparavam ao animal do Hitler) abri como quem não quer a coisa a porta sorrateiramente e andei andei andei no limbo até o encontrar.
- Estás aí, patife - disse-lhe eu!
- O que foi aleijada? - respondeu, olhando para mim,
- O que se passa é que eu quero que esta fila avance e aleijada ou não eu estou no céu e tu não colocarás lá essas patas imundas do sangue que derramaste. - disse-lhe e fui à minha vida!
Continuou lá fechado até todos darem entrada nos seus lugares respectivos! Só depois Deus e o Diabo deram por falta dele! Eu fui má, mas safei esta gente de o aturar! - Pensei eu.
Será que eu cometera pecado suficiente para ir para junto daquele sangrento? Era esta a minha inquietação.
...A verdade é que se algum dia alguém o encontrou nunca o levou para o céu e lá estávamos seguros!
Inferno era pouco para ele.
Mas, ao menos assim, quem bem se comportou toda uma vida no céu descansou...sem um traste a assombrar-nos o descanso. Quero lá saber onde andará - disse eu, coçando-me novamente.

Viver longe da nossa terra

Entre 4 Paredes, 05.10.19

Viver longe da nossa terra é bom e é mau. É bom porque gera (para quem não o consegue fazer de perto) independência, gera algum desapego, gera capacidade de tomar decisões por nós próprios sem termos, constantemente, de fazer o que os outros querem, gera uma maior autonomia em tudo (principalmente para quem não anda, porque se obriga a dar o seu máximo) mas também gera tristeza.

Quantas e quantas vezes nos questionamos (me questiono) se deixar lá os nossos para viver a "nossa" vida é o que faz sentido, quantas vezes pensamos (penso) "e se tudo isto falhar o que farei, volto com uma mão à frente e outra atrás?", com que cara se encara isso? Como se gere as saudades de quem não vê a familia há quase um ano? Como se mete na nossa (minha) cabeça que seriamos demasiadas pessoas doentes numa casa só e que não poderiamos tomar conta uns dos outros?

Enfim, digo sem dúvidas que (ainda) não me arrependi de nada mas, nunca se pode dizer nunca!

Viver longe da nossa terra é...saudade.

Desafio dos Pássaros - Tema #4

Entre 4 Paredes, 04.10.19

A Beatriz disse(-lhe) que não. E agora?
Muitos são os nãos que ouvimos durante a nossa vida e a Beatriz disse(-lhe) que não. A Beatriz fora o rosto de todos os nãos que ela já tinha recebido na vida! É certo que, nem todos os não's são maus. Há o não, não chumbaste no exame, há o não de, não, não tens nada de grave, há o não de, não não és tão frágil quanto julgas mas...na verdade olhamos sempre para o lado negativo de um não!
A Beatriz disse(-lhe) que não. Mas não o quê?
Não devemos julgar...
Não devemos rebaixar...
Não devemos denegrir...
Não devemos deixar que nos agridam...
E ela não tinha sido protegida desses não's! Pelo contrário...fora julgada, rebaixada, denegrida! A Beatriz disse(-lhe) que não. E agora? Agora, ela avisou-a de que não deve aceitar tudo e rebaixar a cabeça!
Deve dizer NÃO!
Chega!
Basta!
Não devemos deixar que nos agridam...e ela deixou. Foi física e psicologicamente violentada desde nova.
A Beatriz abriu-lhe os olhos mas já era tarde. Nessa noite quando se preparava para dizer NÃO, não quero mais isto, foi morta às mãos do companheiro. E ninguém olhou para o caso dela antes de ser tarde demais, ninguém a ajudou, ninguém lhe deu atenção e a Beatriz não viu os sinais a tempo. A sua amiga morrera. Todos ficaram destroçados com o desfecho mas, até lá, ninguém fez nada. E a Beatriz tentou...e não foi a tempo.
Não aceites pressões psicológicas...
Não aceites violência seja ela de que tipo...
NÃO HÁ JUSTIFICAÇÃO PARA SE SER UM MAU SER HUMANO!
NÃO HÁ JUSTIFICAÇÃO PARA A AGRESSÃO...
DIZ NÃO...
A Beatriz disse(-lhe) que não. E agora?
Não fora a tempo.

Os looks dos globos de ouro - sic

Entre 4 Paredes, 30.09.19

Há tantos anos que tenho blogs e sempre quis fazer isto!! Sim, dedicar um post aos humildes actores/actrizes/jet7's aqui do nosso país à beira mar plantado. É verdade, sonho baixinho meus queridos e queridas! E posto isto aqui estão...aqueles que para mim são os looks da noite!

Considerações sobre as fatiotas? Não cheguemos a tanto que eu não sou stylist, nem "fashionist" nem nada dessas coisas chiques...

Rufem os tambores...(que já posso tirar isto da minha lista de desejos)!

(mudem ali na setinha para os verem todos - está a branco por isso um pouco imperceptível)

 

Desafio dos Pássaros - Tema #3

Entre 4 Paredes, 30.09.19

Tema da semana: Uma aventura/momento que te tenha marcado

 

A minha maior aventura é viver.

Apesar de como é óbvio não me lembrar o momento que mais me marcou a mim e à minha existência foi sem dúvida o meu nascimento (como provavelmente marca toda a gente mas...). A forma como vim ao mundo ditou sem dúvida muito do que viria a ser a minha vida. Prematura. Com paralisia. E, mais tarde, filha de pais separados. Poderia esta ser uma história dramática que faria chorar as pedras da calçada (e há dias em que é) mas, vive-se. Vive-se olhando o mundo com curiosidade e muitas dúvidas: como será esta aventura daqui para a frente? Que obstáculos terei de ultrapassar mais? Como será andar? Como será não ter de depender de ninguém? São muitas e muitas as questões. Não deixa de ser desafiante (e simultaneamente agoniante) ser-se diferente. Ver-se o mundo de baixo para cima! Olharem-nos com pena, curiosidade e às vezes escárnio mas...é assim a vida. Não me foi dada opção de escolha, nunca me foi perguntado "queres mesmo viver esta luta?" mas quantas e quantas pessoas no mundo não têm por onde escolher? Muitas. Muitas pessoas travam lutas inglórias! E eu não sei...se o meu destino está ou não traçado mas, sei, que muita gente nasce e morre a lutar contra algo que nada podem fazer para mudar.

Sei também que o mais difícil não é nascer-se limitado fisicamente, o mais difícil é ser-se diferente. O lento é gozado por ser lento, o rápido por ser mesmo muito rápido; O esperto é gozado por ser inteligente, nerd, cromo; O menos inteligente é gozado porque sabe muito menos que o outro...e, a vida é assim. A vida é para todos uma grande aventura misturada com um pouco de drama e outro tanto de comédia. E eu já me aventurei: já me atirei para o mar sem saber nadar (e assim aprendi à força), já fiz equitação, mergulho, natação, já viajei sozinha, já namorei, já ri e já chorei.

Já vivi e noutros dias só sobrevivi! Mas este (EU) fui o resultado do espermatozóide que lutou e venceu...quanto a isso tenho de estar grata!

Acho que temos todos...

E se a aventura a que mais nos dedicar-vos for…viver em pleno…acho que não existirá, nunca, nada tão maravilhoso!